Análise às entrevistas de Paulo Portas (SIC), Rui Rio (RTP I) e Passos Coelho (TVI)

Entramos na derradeira fase da pré- campanha eleitoral para as legislativas de 4 de Outubro, provavelmente marcadas simbolicamente pelo Presidente da República (doravante PR) a fim de evitar as constantes acusações de comportamento dinástico para com o seu futuro sucessor. Numa só semana, tivemos Portas e Passos nos dois canais terrestres com mais audiência e Rio no canal de informação por cabo da televisão pública. Diga-se que foi uma óptima estratégia televisiva dos candidatos da Coligação às legislativas, permitindo a Rio tirar proveito político desta agenda política.

Quanto às entrevistas propriamente ditas, Portas mostrou novamente ser um político assertivo, com uma capacidade comunicacional inata, restringindo-se apenas ao essencial do plano levado a cabo pelo Governo e suavizando a mensagem da Coligação com um apelo claro à preocupação social na próxima legislatura.

Foi o líder pragmático que já conhecemos, não se comprometendo demais com aquilo que sabe não poder cumprir até porque o CDS não tem um único cabeça de lista em todos os círculos distritais do País. A entrevista a Clara de Sousa, jornalista madura e experimentada, foi claramente conduzida pelo entrevistado que orientou as respostas em função do que havia dito anteriormente, não fugindo muito daquilo que é sua linha discursiva habitual.

Rui Rio com a sua entrevista colocou-se na dianteira da corrida Presidencial, apesar de ser um político mais reservado e apetrechado de dados e resultados numéricos, manteve-se o seu registo habitual não fugindo a uma única pergunta. Diria que foi até demasiado audacioso e naturalmente voluntarista na forma como interpretou o papel Presidencial, evidenciando aquelas que seriam as suas contribuições pessoais para a chefia do Estado segundo o seu perfil político, desde logo desejou dum Presidente mais interventivo e condicionador dos Partidos políticos. Quanto às habituais críticas à comunicação social e ao sistema de justiça, diria que pelo menos no caso de José Sócrates terá ido para além daquilo que se espera de um político experiente, sobretudo com a frase “O Eng. Sócrates é culpado? Acho que sim”. Não cabe a nenhum político, sobretudo àqueles que serão candidatos a órgãos de soberania do Estado tecer nenhum comentário valorativo a processos judiciais em curso, sobretudo quando os arguidos foram ou são personalidades com responsabilidade política desta natureza.

Vítor Gonçalves manteve o seu tom provocatório e curioso, permitindo com que o entrevistado admitisse que ter já ponderado a sua decisão quanto ao avanço para as Presidenciais com 80% de certeza. Passos Coelho através do novo formato de entrevistas da TVI, “Tenho uma pergunta para si” concedeu uma entrevista bem conseguida, coerente mas demasiado austera e pouco esperançosa.

O Primeiro- Ministro mostrou que lidera uma AD renovada que tudo fará para alcançar a tão desejada maioria absoluta pedida pelo Presidente. Passos Coelho adiantou aliás que a estabilidade política só será possível com esse requisito, ganhe quem ganhar as legislativas só com uma maioria absoluta será possível terminar a próxima legislatura. Questão diferente, é a posse do novo Governo que terá que ser dada de acordo com os resultados eleitorais independentemente dessa maioria ser alcançada ou não.

Sabe-se agora, que Passos e Portas serão os cabeças de lista da Coligação pelo círculo de Lisboa, enfrentando directamente o secretário- geral do PS naquela que tem sido a sua casa. O próximo passo será saber quem será o Soares Carneiro da Coligação? Será Rui Rio o escolhido?

João Pedro Galhofo