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Líder islâmico apela aos media para desempenhar as suas responsabilidades na luta contra o extremismo

Hadrat Mirza Masroor Ahmad diz que os media devem destacar os ensinamentos pacíficos do Islão praticados pela maioria dos Muçulmanos.

Chefe Supremo da Comunidade Islâmica Ahmadia diz que ele está a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia.

No dia 19 de março de 2016, o Chefe Supremo e o Quinto Califa da Comunidade Islâmica Ahmadia Internacional, Sua Santidade, Hadrat Mirza Masroor Ahmad fez o discurso principal no 13º Simpósio Nacional da Paz organizado pela Comunidade Islâmica Ahmadia do Reino Unido.

O evento realizou-se na Mesquita Baitul Futuh em Londres, com uma audiência superior a 900 pessoas de 26 países, incluindo mais de 500 convidados não-Ahmadianos. Entre os convidados estavam presentes ministros, embaixadores, membros de ambas as Câmaras do Parlamento e vários outros dignitários e convidados.

Sua Santidade também conferiu à Sra. Hadeel Qassim, Prémio da Comunidade Islâmica Ahmadia para a Promoção da Paz em reconhecimento dos seus esforços notáveis para aliviar pessoalmente o sofrimento de milhares de crianças refugiadas que ficaram encalhadas nos campos perigosos e inóspitos no Médio Oriente.

Durante o seu discurso, Sua Santidade falou da necessidade fundamental de justiça e equidade a todos os níveis da sociedade, a fim de estabelecer uma paz verdadeira e duradoura.

Ele apelou aos media para utilizar a sua influência “como uma força para o bem e uma força para a paz”, divulgando as atividades positivas da maioria dos Muçulmanos em todo o mundo, em contraponto à “ínfima minoria” que estavam a perpetrar atrocidades em massa, falsamente em nome do Islão.

Sua Santidade também afirmou que no Islão não havia punição para a apostasia e que o Sagrado Al-Corão era o porta-estandarte da liberdade religiosa universal. Sua Santidade reiterou a necessidade de bloquear o financiamento e a linha de abastecimento de todos os grupos terroristas e extremistas a nível mundial.

Durante uma conferência de imprensa realizada antes do Simpósio da Paz, Sua Santidade expressou a sua opinião de que o Reino Unido deve continuar a fazer parte da União Europeia. Ele expressou a sua esperança de que a campanha ‘Remain’ (a permanência do Reino Unido da União Europeia) iria ser bem-sucedida e que não haveria ‘Brexit’ (a saída do Reino Unido da União Europeia).

Hadrat Mirza Masroor Ahmad começou o seu discurso principal refletindo sobre o facto de que o terrorismo e extremismo dos dias de hoje tinham provocado o medo do Islão em todo o mundo.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: “Este evento está a ter lugar num momento em que o medo generalizado do Islão está a aumentar devido aos atos horríveis e vergonhosos dos grupos terroristas como Daesh. Por exemplo, em novembro passado, O mundo assistiu horrorizado quando os ataques terroristas ocorreram em Paris, e para além deste, houve atentados suicidas e ataques em vários países a intervalos regulares.”

No entanto, Sua Santidade deixou claro que o verdadeiro Islão era uma religião de paz e que os atos brutais cometidos por certos supostos grupos muçulmanos não eram de forma nenhuma permitidos ou justificados pelo Islão.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: “No primeiro capítulo do Sagrado Al-Corão, afirma-se que Deus Todo-Poderoso é o ‘Provedor e Sustentador de todos os mundos’. Ele é o Clemente e Misericordioso. Assim, quando Allah Todo-Poderoso é o Provedor e Sustentador de todas as pessoas e Clemente e Misericordioso – como poderia ser que Ele desejasse para aqueles que acreditaram Nele que assassinaseem impiedosamente, se opusessem violentamente ou prejudicassem a Sua Criação de alguma forma? Claro que a resposta é que não é possível.”

Onde prevaleceu a crueldade e a injustiça, Sua Santidade disse que o Islão recomendou dois métodos, a fim de instaurar a paz e reforma.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“É muito melhor se a paz pode ser alcançada através do diálogo mútuo, negociações e diplomacia. No entanto, se tal não for possível, só então, a força pode ser usada a fim de impedir irregularidades com a intenção de estabelecer uma paz sustentável.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: A filosofia subjacente à punição no Islão é extremamente prudente e bastante exclusivos … Punição ou sanção não é permitida como forma de vingança ou retaliação, mas o seu objetivo é reformar, reabilitar e melhorar.”

Refutando a alegação comum apontada para o Islão, Sua Santidade afirmou que no Islão não havia nenhum castigo por apostasia e que a liberdade religiosa universal era um princípio fundamental do Islão.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: “O Islão consagra os princípios da liberdade religiosa universal e a liberdade de consciência. A fé é uma questão do coração e continuará a ser assim e por isso, jamais deve haver qualquer forma de compulsão na religião.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou: “Se um Muçulmano decidir que quer deixar o Islão, de acordo com os ensinamentos do Al-Corão, tem o direito de fazê-lo. Nenhum governo, grupo ou indivíduo tem o direito de puní-lo ou sancioná-lo de qualquer maneira. Assim, a alegação de que o Islão ordena a punição para a apostasia é totalmente injusta e sem fundamento.”

Desafiando a media para usar a sua influência como uma força para o bem e para agir com responsabilidade, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse:

“Não há dúvida de que os media desempenham um grande papel em influenciar a opinião pública e por isso, os media devem usar esse poder de forma responsável – como uma força para o bem e como uma força para a paz. Ela deve mostrar ao mundo aquilo que o verdadeiro Islão representa, em vez de se focalizar nos atos crueis da ínfima minoria.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad afirmou: “A publicidade é o oxigénio que sustenta a maioria dos grupos terroristas ou extremistas.”

Sua Santidade disse que os media não perderam tempo em associar os atos brutais de terror cometidos pelos supostos Muçulmanos aos ensinamentos do Islão, ao mesmo tempo ignoraram as vozes daqueles que estavam a esforçar-se com sinceridade para espalhar verdadeiros e pacíficos ensinamentos do Islão.

Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: “Num momento de conflito em todo o mundo, devemos lembrar o princípio básico de que será melhor que todas as formas da maldade e crueldade sejam reprimidas e todas as formas da bondade e humanidade sejam apoiadas. Desta forma, a maldade não se vai espalhar muito, ao passo que a virtude e a paz se espalhará por toda a parte e adornará a nossa sociedade.”

Falando sobre a guerra em curso na Síria, Sua Santidade disse que o Ocidente deve ser “disposto a abrir os canais de comunicação” com o Governo Sírio a fim de aliviar a situação desesperada do povo Sírio.

Sua Santidade disse que os governos mundiais ou as organizações internacionais devem priorizar a paz sobre o desejo de mudança de regime. Ele disse que devem aprender com os exemplos trágicos de Iraque e Líbia, em que ambos os países continuam a ser mergulhados em conflitos e anarquia desde que os seus líderes bem antigos foram removidos à força.

Enquanto Sua Santidade advertiu que havia um risco real de uma nova guerra mundial, ele também afirmou que ainda havia tempo para evitar tal catástrofe – se todas as partes estivessem dispostas a agir com justiça e pôr de lado os seus interesses escusos.

Sua Santidade criticou o fracasso constante para cortar as linhas de abastecimento financeiras dos grupos terroristas e o facto de que certas nações poderosas, que tinham alegado trabalhar para a paz, estavam a exportar armas para o Médio Oriente, que por sua vez, esatavam a alimentar guerras em curso na Síria, Iraque e Iêmen.

Em termos do comércio de petróleo, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: Quando se trata de adquirir o óleo, a moralidade sai pela janela.”

Hadrat Mirza Masroor Ahmad continuou: “Enquanto alega-se que todos os esforços possíveis estão a ser feitos para erradicar o terrorismo e o extremismo, as evidências não fundamentam esta afirmação.”

Concluindo, Hadrat Mirza Masroor Ahmad disse: “Rezo para que nós todos desempenhemos os nossos respectivos papéis em promover a causa da humanidade e rezo para que a verdadeira paz, baseada na justiça, seja estabelecida em todas as partes do mundo.”

Antes do discurso principal, vários dignitários falaram sobre a importância da paz e da situação crítica do mundo de hoje.

Rafiq Hayat, o Presidente Nacional da Comunidade Islâmica Ahmadia do Reino Unido disse: “A Comunidade Islâmica Ahmadia concentra na educação, trabalho humanitário e no Jihad de auto-aperfeiçoamento e de espalhar a paz.”

Siobhain McDonagh, Deputada e Presidente do ‘Grupo Parlamentar Multipartidário para a Comunidade Muçulmana Ahmadia, disse: “A comunidade Islâmica Ahmadia contribui muito para este país e vossa fé na paz e na tolerância religiosa é um exemplo para todos nós, como seria de esperar de uma comunidade cujo lema é ‘amor para todos, ódio para ninguém.”

Zac Goldsmith, deputado e Candidato para Autarca de Londres, disse: “Por mais de um século, a Comunidade Islâmica Ahmadia tomou uma posição contra o ódio, mas baixaram a cabeça com compaixão, amor e ajuda prática para reunir as comunidades.”

Lord Tariq Ahmad de Wimbledon, Ministro para combate ao extremismo disse: “Não pode haver o melhor exemplo de [combater o terrorismo] do que exemplificado pela Comunidade Islâmica Ahmadia, sob a liderança Divina e inspiradora da Sua Santidade, Hadrat Mirza Masroor Ahmad.”

Honorável Justine Greening, Deputada, Secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional, disse: “Gostaria apenas de dizer que tenho realmente um grande orgulho de desempenhar um papel de representação da Comunidade Islâmica Ahmadia como uma deputada local, mas também para dizer que no meu papel mais amplo dentro do governo, é um privilégio trabalhar com a Humanity First e ver a fantástica angariação dos fundos da Associação de Juventude da Comunidade Islâmica Ahmadia.”

Tanto antes como depois do evento, Sua Santidade encontrou-se pessoalmente com os vários dignitários e convidados e também realizou uma conferência de imprensa com os membros dos media.

A Justiça e Paz são hoje dois objetivos que têm de caminhar a par»

Os recentes atentados no aeroporto e no metro de Bruxelas

são duplamente criminosos. Não só porque vitimam inocentes, ceifando-lhes covardemente a vida – mas também porque, semeando o medo, podem contribuir para a destruição da própria sociedade. Estes últimos acontecimentos vieram fazer reviver a carnificina de Paris no último Novembro e reacender o sofrimento coletivo.

Toda esta violência reiterada provoca, compreensivelmente, uma sensação de medo nos cidadãos, um medo que contamina toda a sociedade. E, a par deste, surgem manifestações de xenofobia, de segregação relativamente aos muçulmanos. Sejamos claros: os milhões de cidadãos paquistaneses a viver no Reino Unido, tunisinos a residir na Bélgica ou os marroquinos a habitar em França não têm qualquer responsabilidade neste tipo de ações. Bem pelo contrário, são as suas principais vítimas. Recordemos que os maiores mártires de atentados terroristas são justamente muçulmanos. Para além de que, na sequência destes se geram perigosos movimentos de segregação na opinião pública. E, aqui e além, sente-se até um ambiente de “caça às bruxas” que, por si só pode fazer deflagrar mais violência. Temo até que, a ocorrerem mais um ou dois atentados, se iniciem em vários pontos da Europa movimentos de perseguição racial a árabes, paquistaneses ou outros, à semelhança do que outrora ocorreu com negros e ciganos nos anos sessenta e setenta do século XX, ou com judeus antes da Segunda Guerra Mundial.

Neste contexto geopolítico e religioso, teve lugar o Simpósio da Paz, organizado pela Comunidade Islâmica Ahmadia do Reino Unido, que teve lugar em Londres no último fim-de-semana. Em que tive o gosto de participar, a par de deputados espanhóis e noruegueses ou membros do Parlamento britânico. O Califa da Comunidade Islâmica Ahmadia Internacional, Hadrat Mirza Masroor Ahmad, falou da necessidade fundamental de justiça e equidade na sociedade, pois só estas podem garantir uma paz verdadeira e duradoura. Apelou aos media para que divulguem as atividades positivas da maioria dos Muçulmanos em todo o mundo, em contraponto à “ínfima minoria” que tem perpetrado atrocidades em massa falsamente em nome do Islão. Falsamente em nome do Islão – enfatizo. No mesmo sentido foram as mensagens de todos os participantes e o Simpósio de Londres constituiu-se assim como um hino à Justiça e à Paz.

A Justiça e Paz são hoje dois objetivos que têm de caminhar a par. Em tempos difíceis, todos os homens de boa vontade têm de valorizar a paz como valor supremo. O diálogo intercultural e inter-religioso é essencial para a paz. Portugal é, aliás, a este propósito, um país exemplar. Diferentes religiões e culturas coexistem pacificamente. Os portugueses são um povo inclusivista, que aceita, assimila e valoriza outras culturas. Só assim se tornou um povo universal. Desde os Descobrimentos, no século XV, Portugal tornou-se um lugar de encontro. Assim irá continuar, uma terra onde todos são bem-vindos e onde não se discriminam povos em função de fanatismos de algumas minorias.

Paulo Morais