Berço da Liberdade

Pontinha celebrou a Revolução dos Cravos

A Junta da União das Freguesias da Pontinha e Famões assinalou o 42º aniversário do 25 de Abril com um conjunto de iniciativas (de que damos conta nesta edição) entre as quais a Sessão Solene Comemorativa que decorreu no salão nobre da sede da autarquia, na Pontinha e que para além das intervenções dos autarcas e representantes das forças políticas com assento na Assembleia de Freguesia, contou com um espetáculo de música e poesia pela companhia Casa Cheia.

«É preciso lembrar o que era Portugal antes do 25 de abril»

A sessão foi aberta por João Martins, presidente da assembleia que começou por referir que a revolução na Pontinha começoU a 24 de abril com a instalação do Posto de Comando do MFA e lembrar que «Temos já um longo caminho percorrido, com alegrias, tristezas, recuos e avanços, mas sempre com a democracia e a liberdade como companheiras».
João Martins sublinhou que muitos jovens se questionam sobre a importância do 25 de Abril e os benefícios da democracia e sublinhou que a sociedade tem de dar uma resposta correta a estas dúvidas para impedir os riscos de as doutrinas extremistas terem o caminho facilitado. Para João Martins é preciso saber recorrer à história e lembrar o que era Portugal antes da Revolução dos Cravos.

«Três comemorações em abril»

Depois da intervenção de João Martins usaram da palavra os representantes das várias forças políticas, começando por Paulo Sousa, do Bloco de Esquerda. O eleito lembrou que abril é mês de três comemorações: os 42 anos da Revolução dos Cravos, os 41 anos das primeiras eleições livres e democráticas por sufrágio universal e direto e os 40 anos da Constituição da Republica Portuguesa.
Para Paulo Sousa esta tripla comemoração celebra «Os valores da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, bem presentes na Revolução de Abril, na prática democrática que se lhe seguiu com a eleição da Assembleia Constituinte e na consagração da Constituição da Republica», explicando como na prática esses valores foram aplicados.
O autarca sublinhou «O papel exercido pela Constituição na defesa do Povo contra os desmandos ditados por uma Troika de poderes internacionais não eleitos foi muito claro» e afirmou que «Foi na nossa Constituição que sempre depositámos a esperança no progresso. E foi a nossa Constituição o travão de parte do retrocesso que nos impuseram».

«Semear cravos, cumprir Abril»

João Carvalho, do PSD considerou que «Se há locais onde é possível comemorar o 25 de Abril de 1974 com renovadas emoções, resultantes de memórias à flor da pele, um deles, porventura o mais significativo, é a Pontinha. Como não, se respiramos o mesmo ar que respiraram aqueles que, paredes meias connosco, marcaram o novo rumo de Portugal naquela madrugada».
Por isso, o orador espera que, «Pelo menos aqui, na Pontinha, nunca aconteça aquilo que costuma acontecer na comemoração de datas históricas de Portugal: uma vaga recordação, uma ou outra sessão solene aqui ou ali, perante a indiferença, quando não a ignorância dos factos e da sua importância, da maioria. Mas, olhando para o aspeto desolador desta sala, nesta sessão solene do 25 de Abril, tememos que isso já esteja a acontecer».
Para João Carvalho «O 25 de Abril de 1974 exige ser permanentemente reforçado nos seus alicerces, na sua construção, nunca pode ser obra feita e acabada, exige rever-se nos seus frutos para se saber se ainda está vivo, se não morreu».

«Tudo mudou em 25 de abril. A ditadura caiu»

Florentino Serranheira, da CDU, definiu a revolução de Abril como «Libertadora, com tão profunda transformação na vida nacional que se pode considerar um dos mais altos momentos da vida e da história do povo português e de Portugal» e por isso considerou ser tarefa da CDU «E de todos os democratas, combater firmemente a falsificação da história atualmente em curso, informar e esclarecer o que foi a revolução dos cravos, o que foi e o que é a política, diferenciar a direita, liberal com a sua política de destruição da harmonia social, da política de esquerda, dos valores de Abril para o futuro democrático e independente de Portugal».
Para o eleito «É fundamental relembrar que a revolução de Abril libertou Portugal de quase meio século de ditadura. Nessa ditadura foram suprimidas as liberdades mais elementares, através, por exemplo da censura à imprensa e da repressão. A PIDE perseguiu, prendeu, torturou, assassinou sem controlo e os Tribunais condenaram quem se opunha ao regime. Tudo mudou em 25 de abril. A ditadura caiu».

«Acabar com o estado a que chegámos!»

Paulo Ribeiro, do PS, lembrou que «Há 42 anos, Portugal era um País diferente, cinzento e triste. Um país sem oportunidades, mas “orgulhosamente, só!”. O País que acordou no rescaldo daquela madrugada histórica, vivia na pobreza, não só na pobreza da falta de alimento, mas também na pobreza da ignorância, aquela ignorância que leva um povo a resignar-se porque lhe ensinaram que não há melhor».
O eleito considerou que «Não foi fácil consolidar uma democracia num quadro de pobreza e analfabetismo, num Portugal onde quase metade dos seus cidadãos não tinha eletricidade, água canalizada ou esgotos nas suas casas. Onde uma grande parte das pessoas não tinha acesso a cuidados primários de saúde e 30% não conseguia ler qualquer letreiro numa rua.
A revolução veio da força de quem tinha a certeza que o empobrecimento e a indigência não era o nosso fado. A revolução foi feita pela convicção que era preciso mudar de rumo, que era preciso “acabar com o estado a que chegámos!”, como afirmou o Capitão Salgueiro Maia “…era preciso construir um país melhor, com coragem de fazer mais pelos portugueses”!
E o Portugal de Abril foi isso! A coragem e a convicção que era preciso fazer mais e melhor por Portugal e pelos portugueses!».

«Consensos alargado para defender o futuro que todos desejamos»

A presidente da Junta da União das Freguesias da Pontinha e Famões iniciou a sua intervenção referindo ter nascido em 1974 e por isso «Ano após ano, vou compartilhando a idade de Abril» e que «Ainda sem consciência disso, acompanhei o ‘‘Abril que foi’’. Depois, interiorizei o ‘‘Abril que é’’, tornando-o, por convicção própria, presença diária na minha vida».
Para a autarca «Ainda há muito para fazer no ‘’Abril que será’’, e nesta Junta de Freguesia continuaremos a aperfeiçoar constantemente os processos que ajudem cada vez mais a esbater barreiras, promovendo a solidariedade e o apoio à integração através de ações de proximidade e das ferramentas disponibilizadas pelas organizações sociais, sejam institucionais, particulares ou associativas». A oradora manifestou a sua firme certeza de que «O futuro que, creio, todos desejamos, onde a justiça social seja o farol, só pode ser alcançado através de consensos alargados em torno dos temas fulcrais para o desenvolvimento da sociedade. Sei, todos sabemos, que no debate de ideias para melhorar as condições de vida das pessoas da Pontinha, Famões, Odivelas, com tudo o que isso abrange, é – como diz a canção do Rui Veloso – muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa».
Por Isso Corália Rodrigues defende «A discussão séria e realista desses assuntos com todos, desde o cidadão, associações de bairro, desportivas e sociais, aos partidos políticos, porque é assim que entendo a ‘’Abril que será’’, sem donos nem tutores, para que futuramente as minhas filhas, os vossos filhos, os nossos netos, tenham realmente orgulho no ‘’Abril que foi’’, porque houve pessoas responsáveis que souberam encontrar os caminhos certos, independentemente das suas crenças ou ideologias».

«A Pontinha tornou-se o “Berço da Liberdade” em Portugal»

Edgar Valles, vereador da Câmara Municipal de Odivelas usou da palavra em representação do presidente do município, Hugo Martins. As sua primeiras palavras foram para defender que «A Pontinha ao abrigar a Madrugada de Abril, tornou-se o “Berço da Liberdade” em Portugal» e que «Neste ano em que comemoramos 42 Anos do 25 de Abril, os seus ideais devem continuar a ser exaltados de modo a estarem presentes no quotidiano coletivo, em especial dos mais jovens que não viveram tão importante data da nossa história contemporânea! Lembrar hoje os 42º Aniversário do 25 de Abril é reviver quase meio século de história, da nossa história».
O vereador defendeu também que «Teremos todos que dar as mãos, para consolidar o investimento que temos vindo a fazer ao longo dos dezassete anos que temos de município, procurando encontrar sempre as melhores soluções, com a visão de preparar o futuro, dotando o nosso território das infraestruturas que garantam melhor qualidade de vida para todos», afirmando que «Hoje podemos dizer que temos um concelho melhor, mais desenvolvido e mais qualificado. E hoje também já podemos dizer, que na Pontinha e em Famões, os indicadores de melhor qualidade de vida começam a ser cada vez mais visíveis e mais sustentáveis».
O orador lembrou o investimento que a Câmara der Odivelas fez nas freguesias da Pontinha e Famões, enumerando a obra feita, a que está em curso, bem como a que se encontra planeada e os valores investidos.