Existem dias em que trabalhamos, resolvemos problemas e mais problemas, reuniões e mais reuniões e parece que o dia nunca mais acaba.

Mas por mais incrível que parece é no último telefonema da tarde antes de ir para casa no final de 11 horas seguidas de Futebol e mais Futebol que surge a boa vinda.

A oportunidade de mais um menino seguir o seu percurso desportivo num dos clubes grandes de Portugal e com muitos pergaminhos na matéria da formação.

É como ver uma ave migratória que passa pelo nosso território mas já tem o seu destino marcado e a sua rota passa por algum lugar que o vai fazer crescer enquanto homem e atleta.

É difícil vê-los partir, mas fica aquele sorriso manso no nosso rosto um pouco massacrado pelo tempo, mas que nos deixa em paz e com o sentido de dever cumprido.

Bem sabemos que nem todos vão ser jogadores profissionais de futebol e que não vão chegar ao estrelato, mas, quem sabe se está aqui aquele, sim aquele que nos irá fazer vibrar e poder dizer: «Este menino que se tornou homem eu, ou melhor nós, ajudamo-lo a aprender a voar».

Será que um dia mais tarde se lembrará do clube por onde passou? Há casos que nunca esqueceram, por exemplo, o Rui águas, o Poejo ou o Beto e mais recentemente o Miguel Veloso mas temos os outros que nem os vou mencionar, que se esquecem depressa de mais quem os ajudou a tornarem se quem são hoje, ou o que serão para sempre, uma referência no futebol português.

Há de tudo!

O futebol é pródigo em casos de falta de memória aguda. Mas quem renega as suas origens não pode ser bem formado. Até pode ser bom jogador, dos melhores inclusive, mas a vida mais cedo ou mais tarde vai-lhes ensinar a ser humildes e, porque não, reconhecidos.

Será que é pedir muito? Talvez sim, talvez não ?

São estes atletas de elite que também já foram meninos que são as referências para quem agora começa nestas lides e fá-los sonhar…

Seria pedir muito que de vez em vez passassem pelos seus clubes de origem e vissem um jogo, ou simplesmente contassem a sua história pessoal que tanto alimenta as noites dos mais pequenos e que os fazem sonhar?

Talvez seja este que vai fazer a diferença ou outro que sairá atrás deste que humildemente vão dar valor a tantas pessoas que por paixão todos os dias da semana, tudo fizeram para que nada lhes faltasse…

Mudança precisa-se, de atitude, de humildade e de reconhecimento.

Quando oiço dizer, e é quase sempre, que o clube X ou Y é um bom formador, sorrio… Quem forma não são os clubes ditos grandes, eles escolhem os melhores dos ditos clubes pequenos e colocam-nos a competir ao mais alto nível, esses sim são os verdadeiros formadores, os tais PEQUENOS.

Pegam em qualquer menino com ou sem jeito e ensinam-lhe os princípios básicos de jogo de forma sistemática e ao fim de uns anos eles desabrocham como uma flor e tornam-se apetecíveis para outros voos.

É uma questão natural e que se desenvolve naturalmente caso não entre nas contas o fator C.

De uma coisa tenho a certeza, estou feliz!

Voa meu menino e que a sorte te bafeje.

Sei que nos vamos encontrar por aí, num campo qualquer que me vais deixar orgulhoso mesmo que não me reconheças, porque a idade não perdoa e já não vamos para novos…

Boa sorte miúdo!