Segundo a Constituição da Republica Portuguesa o Desporto e a sua prática é um direito a que todos os portugueses deviam ter acesso sendo a prática e promoção do mesmo da responsabilidade do Estado.

Ora como o Estado não promove nem tem capacidade para tal delega nas Câmaras Municipais  e nas Juntas de Freguesia bem como nas entidades reguladoras e promotoras do Desporto, IDPJ, Federações, Associações das diversas Modalidades e por último nos Clubes e Desporto Escolar.

Todos estes organismos oficiais não estão vocacionados para a prática efetiva do Desporto propriamente dita mas sim para a sua regulação e promoção de provas oficiais.

O Desporto Escolar contrariamente ao que se faz na maior parte dos países da Europa deveria ser a alavanca de todo este processo iniciando os alunos na pratica regular desportiva e posteriormente encaminhando as crianças com maior potencial dentro de cada modalidade para os Clubes mas isto não acontece porque as escolas parece que se fecharem dentro de si, só pontualmente dão o salto necessário para a integração desses alunos num outro nível competitivo.

Claro que existem exceções mas as exceções não são a regra.

As Câmaras e as Juntas de Freguesia tem outro tipo de preocupações e salvo algumas exceções (Desporto para a 3ª idade ou sénior porque dão votos) não apoiam devidamente o Desporto através dos Clubes, esses sim colocam centenas de milhares de crianças e adolescentes em Portugal a praticar Desporto Regular dando-lhes hábitos saudareis de vida e saúde, bem como a ocupação de tempos livres diminuindo drasticamente os comportamentos desviantes de risco e o sedentarismo a que a população Portuguesa se devotou há algum tempo, contribuindo determinantemente para o combate à obesidade infanto-juvenil e para um melhoramento geral da saúde pública.

Infelizmente estes organismos não reconhecem verdadeiramente trabalho cívico, desportivo e educacional que os Clubes prestam á sociedade Portuguesa em geral.

Na maior parte das situações os programas de apoio ao Desporto das Câmaras e das Juntas de freguesia estão desfasadas da realidade e os critérios se existirem, não correspondem minimamente à realidade atual, beneficiando a mediocridade e penalizando quem efetivamente no terreno faz Desporto sério.

Mais uma vez repito que existem exceções mas também continuo a dizer que não são a regra.

O poder Politico tem de olhar para o Desporto com outros olhos, o Desporto não é o parente pobre na estruturação da sociedade Portuguesa muito pelo contrário é o alicerce central de equilíbrio da formação do ser enquanto Cidadão.

Também não sou apologista que os Clubes sejam subsídio dependentes, os mesmos deviam de arranjar formas para se auto sustentar, pelo menos em parte da sua atividade. Essa seria a condição que qualquer Clube desejaria, mas a realidade diz-nos que essa tarefa é quase impossível e que os organismos oficiais apoiando os Clubes com critério, tem mais desporto, mais cidadãos bem formados e por fim mais saúde pública. Existe um estudo que chegou à conclusão que 1 euro aplicado no Desporto reduz 3 euros na Saúde.

Bastante elucidativo não acham?

Abordando na diagonal o Desporto Feminino em Portugal, é sabido que o mesmo tem décadas de atraso relativamente aos nossos vizinhos Europeus, não teremos de criar programas especiais para incentivar e dinamizar este segmento do Desporto? Afinal o Desporto não é para todos?

Falando um pouco de Desporto adaptado ou para deficientes, inexplicavelmente a situação é muito pior.

A máxima ” Todos iguais, todos diferentes” fica mesmo só pelo papel!

Vou lhes dar um exemplo a Seleção Nacional de Goalball foi ao Campeonato Europeu, fazendo história ficando num brilhante 2º Lugar subindo ao escalão B  juntamente com a Rússia e a Itália, até aqui tudo bem. O pior vem a seguir, a ANDDVIS teve de se endividar contraindo um empréstimo bancário para a viagem da comitiva que era cerca de 9 pessoas colocando em risco as condições habituais do próximo Campeonato Nacional e a participação no próximo Campeonato da Europa. Acham justo? Não deveria ser o Estado através de um organismo oficial a custear estas despesas? Por amor da santa…

Deixo vos a refletir num assunto demasiado sério que tem sido tão mal tratado.